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A decisão justa não nasce do número: o que a Sageocracia desloca

La Sageocratie ne fonde pas la légitimité sur le nombre (démocratie) ni sur la force, mais sur la qualité de la compréhension d'une situation. Des expériences démocratiques réelles en donnent un aperçu crédible — sans pour autant être « la Sageocratie ».

Des citoyens de différents âges délibèrent, assis en cercle dans une salle moderne et lumineuse.

Aprendemos a julgar uma decisão pela sua origem: foi adotada pela maioria? foi tomada pela autoridade competente? São perguntas úteis, mas deixam escapar o essencial. Uma decisão não é boa por ter reunido mais votos, nem por vir de cima. É boa quando teve realmente em conta o que estava em jogo. É esse o deslocamento que a Sageocracia propõe: fundar a legitimidade não no número, mas na qualidade da compreensão.

Do que se trata

A Sageocracia — literalmente «o governo pela sabedoria» — não entende com isso uma superioridade moral nem um título. A sabedoria define-se aqui de forma simples: a capacidade de ver o que está ligado. Organizar a vida coletiva a partir dessa consciência dos laços, da responsabilidade alargada que daí decorre e do respeito pelos equilíbrios que tornam a vida possível: eis a proposta. Não um sistema fechado, mas uma direção.

Não é uma democracia «melhorada»

A distinção é importante. A democracia funda a legitimidade no número; a Sageocracia funda-a na compreensão. Ambas podem coexistir — e é, aliás, pelas vias democráticas existentes que uma tal orientação poderia um dia ser reconhecida. Mas o princípio é diferente.

Será realista? Algumas experiências deixam-no entrever

Vários dispositivos, já conduzidos em democracias sólidas, dão disso uma ideia. Na Irlanda, sobre temas considerados demasiado sensíveis pela classe política, assembleias de cidadãos sorteados — informados por especialistas, confrontados com pareceres contraditórios — formularam recomendações claras, adotadas em seguida por referendo. Em França, a Convenção Cidadã para o Clima procedeu do mesmo modo. O que ali está em jogo não é o voto, mas a deliberação: dar-se o tempo de compreender antes de decidir. À escala de uma cidade, os orçamentos participativos, de Porto Alegre a Paris, mostram o mesmo: informados e responsabilizados, os habitantes decidem com seriedade.

O que isto dá a ver

Estes dispositivos não são «a Sageocracia». Mas mostram uma coisa: quando se reúnem as condições de uma compreensão partilhada, emergem decisões mais justas — não por um compromisso arrancado, mas porque as posições de partida se ajustam à medida que se vê melhor a situação. O manuscrito fundador chama-lhe sintonia: esse momento em que elementos que pareciam opor-se deixam de o fazer, porque enfim são percebidos como partes de um mesmo conjunto.

A Sageocracia não pede aos seres humanos que mudem de natureza. Propõe mudar o quadro: decidir a partir da situação em vez de o fazer a partir de uma posição. Não é uma utopia a alcançar, mas uma possibilidade a reconhecer — e, como estas experiências sugerem, nada tem de irrealista.